

Setembro Amarelo amplia debate sobre prevenção e limites da campanha
A campanha de prevenção ao suicídio volta às redes, empresas, escolas e instituições em setembro, mas também enfrenta críticas sobre comunicação, acesso ao cuidado e simplificação do sofrimento. Dados citados por entidades médicas apontam entre 14 mil e 15,5 mil mortes por suicídio por ano no Brasil.
# Setembro Amarelo amplia debate sobre prevenção e limites da campanha O Setembro Amarelo tem como objetivos ampliar a conversa sobre prevenção do suicídio, reduzir o estigma e estimular a busca por ajuda. A mobilização aparece em redes sociais, empresas, escolas, consultórios e campanhas institucionais.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Psiquiatria e pelo Conselho Federal de Medicina indicam cerca de 14 mil suicídios por ano no Brasil, mais de 38 casos por dia. Boletins do Ministério da Saúde, baseados no Sistema de Informações sobre Mortalidade, apontam entre 14 mil e 15,5 mil óbitos anuais, considerando ajustes de subnotificação.
Parte das críticas questiona a transformação da campanha em um calendário de marketing, com laços, frases motivacionais e ações concentradas em poucas semanas. O debate também envolve a falta de acesso contínuo a tratamento, assistência social, renda, moradia e proteção contra a violência.
A Organização Mundial da Saúde descreve o suicídio como um fenômeno multifatorial, influenciado por aspectos sociais, culturais, biológicos, psicológicos e ambientais. Violência, perdas, isolamento, discriminação, racismo, homofobia, dificuldades financeiras e uso problemático de álcool e outras drogas podem se combinar de maneiras diferentes.
Para o psicólogo Rodrigo Toledo, a campanha precisa considerar as diferentes formas de sofrimento. “Não adianta dizer que precisamos falar sobre suicídio se a campanha não suporta ouvir as diferentes formas pelas quais o sofrimento aparece. Nem todo mundo sofre do mesmo jeito, nem pelas mesmas razões”.
A comunicação sobre o tema pode ter efeitos preventivos quando é responsável e inclui informações sobre ajuda, recuperação e formas de enfrentamento. O texto também ressalta que estudos não permitem afirmar que a campanha, sozinha, reduza as mortes, sem indicar que ela cause suicídios ou que falar sobre o assunto seja prejudicial.
A proposta defendida é manter o debate fora do silêncio e do tabu, mas ampliar o foco para acesso real ao cuidado, redes preparadas, formação profissional, políticas públicas e continuidade ao longo do ano. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, todos os dias, 24 horas.
Fonte: oglobo.globo.com
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