

Dois anos após queda, voo que saiu de Cascavel tem investigações concluídas
Acidente do voo 2283, que partiu de Cascavel com destino a Guarulhos, matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. Relatórios do Cenipa e da Polícia Federal apontaram uma sequência de falhas técnicas, operacionais e organizacionais.
# Dois anos após queda, voo que saiu de Cascavel tem investigações concluídas Há dois anos, a queda do voo 2283 da Voepass conectou de forma trágica Cascavel, no Oeste do Paraná, a Vinhedo, no interior de São Paulo. A aeronave havia decolado do município paranaense com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos quando caiu em uma área residencial. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram.
O acidente é considerado o maior desastre aéreo registrado no Brasil desde 2007. Em julho de 2026, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final, apontando uma combinação de condições severas de formação de gelo, falhas no sistema de degelo, decisões operacionais inadequadas e problemas na manutenção e na gestão de riscos.
Segundo o documento, o ATR 72-500 voava a cerca de 17 mil pés quando encontrou gelo severo. A aeronave não era certificada para operar nessas condições e já tinha falhas conhecidas no sistema de proteção contra o gelo. O Cenipa também apontou que o avião foi liberado mesmo com registros anteriores relacionados ao equipamento.
A investigação aeronáutica resultou em nove recomendações de segurança: quatro destinadas à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e cinco à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As medidas tratam da operação do ATR em condições de gelo, dos sistemas de alerta e registro de dados de voo e da fiscalização da segurança operacional.
Na esfera criminal, a Polícia Federal informou o indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass, entre eles o proprietário e presidente da companhia, José Luiz Felicio Filho. O indiciamento não representa condenação: cabe ao Ministério Público analisar as provas e decidir se apresenta denúncia à Justiça, assegurados o direito à defesa e o devido processo legal.
As conclusões dos órgãos apontam que a queda não foi explicada por um único fator. Falhas técnicas, condições meteorológicas, decisões operacionais, manutenção e problemas organizacionais formaram uma sequência que terminou na queda do avião. O Cenipa ressaltou que sua investigação tem caráter preventivo e busca evitar ocorrências semelhantes.
Fonte: O Paraná (Cascavel)
Informação que importa, direto do Oeste Paraná.
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